Apresentação

Atualmente coordenado por mulheres, o Grupo de Pesquisa Religião e Cultura Popular – GP Mina, fundado por Mundicarmo R. Ferretti e Sérgio F.  Ferretti, no ano de 1992, é vinculado ao Departamento de Sociologia e Antropologia, CCH/UFMA. É dos mais longínquos grupos de pesquisa da UFMA e, primeiro a ocupar-se com o tema das comunidades tradicionais de terreiros e manifestações afro-ameríndias no Centro de Ciências Humanas/UFMA. 

Pesquisando o tambor de mina do Maranhão, o casal Ferretti, o Grupo GP Mina, que se reunia aos sábados na residência do casal, tornou-se importante para a formação de pesquisadores  preocupados com as questões étnico-raciais,  grupos periféricos e minorias que se identificavam e se aproximavam com o tema dos estudos da cultura popular e tradições afro-brasileiras e  africanas, através dos projetos de pesquisas desenvolvidos por eles, tanto na UFMA como na UEMA.  

 Além de formar mais de duas gerações de pesquisadoras e pesquisadores que atuam em diversos espaços de pesquisa e educação como a UFMA, UEMA,  IFMA, o GP Mina é reconhecido por importantes trabalhos acadêmicos realizados sobre o tambor de mina do Maranhão e o campo simbólico da chamada Cultura Popular. Aos estudos clássicos como Desceu na Guma, de Mundicarmo Ferretti, que se ocupa do tema dos caboclos no tambor de Mina, e Querenbantã de Zomadônu, etnografia impecável da matriarcal Casa das Minas, de Sérgio F. Ferretti, se juntam os estudos de diversas e diferentes manifestações rituais de comunidades tradicionais, produzidas, a nível de graduação, mestrado e doutorado, neste grupo de pesquisa.

Esse amplo e plural trabalho de formação acadêmica, demonstra que o GP Mina, através de suas pesquisas e projetos, construiu um importante acervo científico sobre culturas afro-brasileiras e africanas no Estado do Maranhão, bem como destacou a importância de manifestações rituais e simbólicas como Tambor de Crioula, Pajelança/Cura,  Bumba-boi, Festa do Divino Espirito Santo, Boi de promessa, etc., quando estas práticas culturais ainda eram classificadas, hierarquicamente e eurocêntricamente, como temas não relevantes no campo de estudos das Ciências Humanas.  

Tal trajetória confirma o perfil interdisciplinar e dialógico do GP Mina, tradição que se mantém nas pesquisas e estudos nele atualmente desenvolvidos. Coordenado por Marilande Martins Abreu e Mundicarmo Rocha Ferretti, o GP Mina se organiza em    05 (cinco) Linhas de Pesquisa. São elas, 1). Estado, Cultura e Políticas Públicas; 2) Fenômenos Religiosos, Relações de Gênero e Cultura Popular; 3) Museu Afro-Digital do Maranhão – MAD/MA; 4) Psicanálise e Ciências Sociais – PSICANACS; 5) Sociabilidades e Sistemas Simbólicos – Cidade, Práticas Rituais e Memória. 

As atividades acadêmicas que envolvem pesquisadoras, pesquisadores, alunes de graduação, mestrado e doutorado, se desenvolvem a partir dos projetos vinculados a essas Linhas de Pesquisa, que organizam e abrigam os estudos e trabalhos que envolvem práticas religiosas de matriz africana e manifestações da cultura popular; políticas públicas, estado e minorias; relações de gênero e sexualidades dissidentes; matriarcado, simbolização do feminino e práticas rituais. Esses sujeitos de pesquisas são articulados aos temas da educação, cultura e tecnologia. Eixo teórico-prático da Linha de Pesquisa Museu afro Digital – MAD/MA, projeto de pesquisa e extensão do GP Mina, que mantém e produz um acervo digital dedicado às comunidades tradicionais e suas manifestações rituais e religiosas (http://www.museuafro.ufma.br/).

Dando destaque a posição feminina, e inspirando-se na força das mulheres lideranças de terreiros do tambor de mina do século XIX, o GP Mina continua sua missão de formar alunes e, inseri-los a partir das diferentes etapas da vida acadêmica, num criterioso trabalho de pesquisa científica. 

 

 

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